Assim não custa nada, certo? De repente, os 200km já se percorreram e já estamos todos na Beira!!
Mas antes de lá chegarmos, a título de curiosidade, passamos por um cruzamento, o de Inchope, muito conhecido e movimentado porque seguindo em frente vamos para a Beira, se virarmos à esquerda vamos para o Parque Nacional da Gorongosa e virando à direita vamos para Maputo, a 1000km de distância!
E pronto, começamos a entrar na cidade da Beira por uma avenida de 5km, com separador central e duas faixas em cada sentido!
A Beira é uma cidade grande, tem 450.000 habitantes, com avenidas enormes, praças espaçosas, palácios antigos, prédios... Alguns edifícios (ocupados principalmente por bancos) estão restaurados, mas a maior parte da cidade está muito degradada, por causa da guerra civil e de uma grande cheia em 2000.
Um dos edifícios mais característicos, ou pelo menos o que eu mais queria ver, é o Grande Hotel...
Este edifício, sem água nem electricidade, serve de habitação a 3500 pessoas, que aqui se refugiaram durante a guerra e por aqui foram ficando, vivendo nos quartos, nas salas, nos corredores, nas cozinhas... Tudo neste hotel foi destruido ou roubado... o piso em parquet foi usado como combustível, a piscina olímpica é um misto de tanque de lavar roupa e banheira, as varandas são as casas de banho... Há árvores a crescer nas paredes... O cheiro sente-se num raio de 200m... Enfim, indescritível...
Passeei pela Beira com o coração apertado, misto de alegria e tristeza, a adorar a cidade mas com vontade de fugir... Bonita, à beira mar, com muito potencial de crescimento, mas cheia de lixo em cada jardim, pobreza em cada esquina...
Deixo-vos algumas imagens das ruas, praças e edifícios, sem mais comentários, para que possam sentir sozinhos...
Sem comentários:
Enviar um comentário