Ontem, quando às oito da manhã comecei a ouvir música e muitas vozes, acordei a pensar: "Hoje é o dia da festa de Alheira!!". Mas não, apesar das semelhanças, ontem foi o dia da Cidade de Tete, que festejou 53 anos de vida... Ao longo do dia lembrei-me muitas vezes da minha terra, apesar das semelhanças inicialmente observadas se terem transformado em curiosas diferenças.
No dia anterior, começaram os preparativos: enfeitar as ruas e a ponte com bandeiras amarelas, verdes, vermelhas e brancas (as cores da bandeira moçambicana) e pintar as passadeiras e traços nas estradas. Trabalho meticuloso nesta cidade, que envolve uma fita métrica, várias barras de madeira e latas de tinta de interior...
Em Alheira começamos por ouvir música transmitida por várias colunas espalhadas pela "aldeia"; em Tete a música vem de um palanque montado bem à porta do meu prédio.
Em Alheira, logo pela manhã, começa a Missa, que também é transmitida pelas colunas; em Tete, começam os discursos políticos, com representantes da Organização da Juventude Moçambicana, da Organização da Mulher Moçambicana, do Governo Provincial e do Conselho Municipal, todos sentados no palanque montado bem à porta do meu prédio. Todos eles a apelar à "moçambicanidade" dos moçambicanos, à luta contra a "pobreza absoluta", com vivas à Frelimo e todos a gritar: "Wakula Nhungué!!" ("Tete é uma cidade crescida", mais coisa, menos coisa).
Em Alheira, depois da missa, volta a música nos altifalantes; em Tete, grupos de diferentes bairros, congregações, organizações, cantam, dançam e tocam batuques em frente ao palanque montado bem à porta do meu prédio.
Em Alheira, faz-se a procissão, com andores e fanfarra; em Tete também, mas são os militares que tocam e a procissão é um pouco diferente...
Uma fila de camiões, carrinhas, táxis, máquinas de trabalho, vai passando à frente do palanque, a mostrar a todos o que se faz na e pela cidade... Então, pode ver-se, por exemplo, um camião que mostra o trabalho da recolha do lixo, que envolve carrinhos de mão, pás e máscaras:
Ou outro que mostra como se utilizam duas determinadas máquinas, pertença do conselho municipal:
Depois do almoço, quando tentamos descansar um pouco de tanta folia, é só pousar a cabeça na almofada para logo começar a grande corrida de motas da cidade! São motas, mas parecem aviões! A adrenalina começa a disparar, entre fãs a aplaudir o seu campeão e polícia a controlar a população descontrolada que ameaça colocar-se no meio da pista, onde os atletas atingem velocidades estonteantes de 40km/h!
Acabada a corrida, recomeça a música. Até que, finalmente, anoitece... "amanhã é dia de trabalho", pensamos, "portanto a música vai acabar cedo"... Era meia noite e ainda havia concerto ao vivo, no mesmo palanque, montado bem à porta do meu prédio!
Olá! Gostei da tua "moçambicanidade"! Os usos e costumes de cada terra, salvas as diferenças- Alheira tem muiiitos mais anos do que Tete, dizem que foi criada no reinado de D. Manuel, por judeus expulsos do Porto- têm o mesmo objectivo: mostrar o melhor aos que as visitam ou,pelo menos, para que os naturais não esqueçam a sua identidade!
ResponderEliminarEstás muito bonita na foto! Vislumbrei o Paulo de perfil?
Ai, ai... tantos usos e costumes dão-nos cá uma dor de cabeça!! :P Foi engraçado e mal acordei com o barulho pensei mesmo em Alheira!! Sim, o Paulo aparece, livro na mão que não deixa enganar! Beijinhos, mãe...
ResponderEliminarAdorei este texto!
ResponderEliminarEntre altifalantes aos gritos em Alheira e corridas de motas em Tete, venha o diabo e escolha!
Inês Maria, com que então anda por aí nas festas e eu a precisar da minha ajudanta...Gostei desse ar feliz. Beijoquinhas
ResponderEliminarTIA!!! Já tenho saudades das crónicas do RAP!!!
ResponderEliminarElsa Joaquina! Estava a ver que nunca mais aparecia por cá! Beijinhos!!
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