Começou ontem mais uma época das chuvas, bem mais cedo em Tete do que noutras zonas do pais.
Chuva muito bem vinda por diferentes razões para diferentes pessoas. Para mim, por causa do cheiro intenso que fica no ar, que penetra pela casa, que se infiltra na alma, que me faz esquecer tudo e sentir, apenas... imaginem um cheiro tão poderoso que transporta em si a terra e as pessoas, os desejos e os sonhos... parece demais? Venham senti-lo...
grande ou pequena, na cidade ou no campo, de palha ou de cimento, não é importante... o melhor de tudo é ser o sítio que está de portas abertas para todos os amigos, é partilhada, independentemente do local onde se encontra!
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
A praia...
Para o fim a melhor parte! O mar, a praia...
Grandes avenidas ladeadas por casarões, um clube naval com piscina, dois ou três restaurantes em cima do mar! Fez-me lembrar a Granja, com todas aquelas casas antigas em frente ao mar...
Saímos sexta de manhã de Tete e voltamos domingo... sete horas de viagem para cada lado para um dia na praia! Vale a pena, ainda assim, foi um fim de semana:
Mas ainda bem que hoje é feriado e podemos descansar!!!
Grandes avenidas ladeadas por casarões, um clube naval com piscina, dois ou três restaurantes em cima do mar! Fez-me lembrar a Granja, com todas aquelas casas antigas em frente ao mar...
Saímos sexta de manhã de Tete e voltamos domingo... sete horas de viagem para cada lado para um dia na praia! Vale a pena, ainda assim, foi um fim de semana:
Mas ainda bem que hoje é feriado e podemos descansar!!!
Chegamos à Beira!
Assim não custa nada, certo? De repente, os 200km já se percorreram e já estamos todos na Beira!!
Mas antes de lá chegarmos, a título de curiosidade, passamos por um cruzamento, o de Inchope, muito conhecido e movimentado porque seguindo em frente vamos para a Beira, se virarmos à esquerda vamos para o Parque Nacional da Gorongosa e virando à direita vamos para Maputo, a 1000km de distância!
E pronto, começamos a entrar na cidade da Beira por uma avenida de 5km, com separador central e duas faixas em cada sentido!
A Beira é uma cidade grande, tem 450.000 habitantes, com avenidas enormes, praças espaçosas, palácios antigos, prédios... Alguns edifícios (ocupados principalmente por bancos) estão restaurados, mas a maior parte da cidade está muito degradada, por causa da guerra civil e de uma grande cheia em 2000.
Um dos edifícios mais característicos, ou pelo menos o que eu mais queria ver, é o Grande Hotel...
Este edifício, sem água nem electricidade, serve de habitação a 3500 pessoas, que aqui se refugiaram durante a guerra e por aqui foram ficando, vivendo nos quartos, nas salas, nos corredores, nas cozinhas... Tudo neste hotel foi destruido ou roubado... o piso em parquet foi usado como combustível, a piscina olímpica é um misto de tanque de lavar roupa e banheira, as varandas são as casas de banho... Há árvores a crescer nas paredes... O cheiro sente-se num raio de 200m... Enfim, indescritível...
Passeei pela Beira com o coração apertado, misto de alegria e tristeza, a adorar a cidade mas com vontade de fugir... Bonita, à beira mar, com muito potencial de crescimento, mas cheia de lixo em cada jardim, pobreza em cada esquina...
Deixo-vos algumas imagens das ruas, praças e edifícios, sem mais comentários, para que possam sentir sozinhos...
Mas antes de lá chegarmos, a título de curiosidade, passamos por um cruzamento, o de Inchope, muito conhecido e movimentado porque seguindo em frente vamos para a Beira, se virarmos à esquerda vamos para o Parque Nacional da Gorongosa e virando à direita vamos para Maputo, a 1000km de distância!
E pronto, começamos a entrar na cidade da Beira por uma avenida de 5km, com separador central e duas faixas em cada sentido!
A Beira é uma cidade grande, tem 450.000 habitantes, com avenidas enormes, praças espaçosas, palácios antigos, prédios... Alguns edifícios (ocupados principalmente por bancos) estão restaurados, mas a maior parte da cidade está muito degradada, por causa da guerra civil e de uma grande cheia em 2000.
Um dos edifícios mais característicos, ou pelo menos o que eu mais queria ver, é o Grande Hotel...
Este edifício, sem água nem electricidade, serve de habitação a 3500 pessoas, que aqui se refugiaram durante a guerra e por aqui foram ficando, vivendo nos quartos, nas salas, nos corredores, nas cozinhas... Tudo neste hotel foi destruido ou roubado... o piso em parquet foi usado como combustível, a piscina olímpica é um misto de tanque de lavar roupa e banheira, as varandas são as casas de banho... Há árvores a crescer nas paredes... O cheiro sente-se num raio de 200m... Enfim, indescritível...
Passeei pela Beira com o coração apertado, misto de alegria e tristeza, a adorar a cidade mas com vontade de fugir... Bonita, à beira mar, com muito potencial de crescimento, mas cheia de lixo em cada jardim, pobreza em cada esquina...
Deixo-vos algumas imagens das ruas, praças e edifícios, sem mais comentários, para que possam sentir sozinhos...
Eu vou, eu vou, até à Beira eu vou...
Trá-lá-lá-lá....
A viagem é longa, são 600km, atravessamos três províncias, Tete, Manica e Sofala! Vou dividi-la, para não vos cansar!
Comecemos...
Um dos aspectos mais interessantes em todas as viagens que fiz em Moçambique é o facto de, independentemente das províncias que atravessamos e dos quilómetros que percorremos, haver sempre populações ao longo da estrada. Melhor, haver populações só ao longo da estrada. Há sempre pessoas de um lado para o outro, a pé, de bicicleta, a carregar carvão, estacas e baldes com água, a ir e a vir não se sabe muito bem de nem para onde... E sempre com bancas e mercados a vender galinhas e cabras, refrescos e biscoitos, bacias e roupa! De onde vem e como cá chega tanta variedade de produtos, não sei.
À medida que percorremos caminho, vamos deixando para trás a aridez de Tete e vamos entrando em paisagens coloridas, com jacarandás com flores liláses, árvores verdes e frondosas, terra vermelha! Há cor, muita cor...
A temperatura diminui, a humidade aumenta e os espíritos alegram-se!
Chegamos ao Chimoio, capital da província de Manica e economicamente importante por ligar o Zimbabwe ao Porto da Beira. Além disso, tem condições ambientais óptimas para a agricultura, havendo grandes empresas com enormes plantações!
Todas estas vantagens fazem com que, apesar de estarmos bem no interior de Moçambique, o Chimoio tenha uma população de 250.000 habitantes e infra-estruturas bem desenvolvidas, desde hotéis a grandes supermercados (onde aproveitei para comprar cogumelos frescos e queijo feta e salsichas vegetarianas!!! A alegria total!!!).
Ufa, 400km já estão! Agora só faltam 200!!
A viagem é longa, são 600km, atravessamos três províncias, Tete, Manica e Sofala! Vou dividi-la, para não vos cansar!
Comecemos...
Um dos aspectos mais interessantes em todas as viagens que fiz em Moçambique é o facto de, independentemente das províncias que atravessamos e dos quilómetros que percorremos, haver sempre populações ao longo da estrada. Melhor, haver populações só ao longo da estrada. Há sempre pessoas de um lado para o outro, a pé, de bicicleta, a carregar carvão, estacas e baldes com água, a ir e a vir não se sabe muito bem de nem para onde... E sempre com bancas e mercados a vender galinhas e cabras, refrescos e biscoitos, bacias e roupa! De onde vem e como cá chega tanta variedade de produtos, não sei.
À medida que percorremos caminho, vamos deixando para trás a aridez de Tete e vamos entrando em paisagens coloridas, com jacarandás com flores liláses, árvores verdes e frondosas, terra vermelha! Há cor, muita cor...
A temperatura diminui, a humidade aumenta e os espíritos alegram-se!
Chegamos ao Chimoio, capital da província de Manica e economicamente importante por ligar o Zimbabwe ao Porto da Beira. Além disso, tem condições ambientais óptimas para a agricultura, havendo grandes empresas com enormes plantações!
Todas estas vantagens fazem com que, apesar de estarmos bem no interior de Moçambique, o Chimoio tenha uma população de 250.000 habitantes e infra-estruturas bem desenvolvidas, desde hotéis a grandes supermercados (onde aproveitei para comprar cogumelos frescos e queijo feta e salsichas vegetarianas!!! A alegria total!!!).
Ufa, 400km já estão! Agora só faltam 200!!
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Quando a casa começa a chorar
Já ouvi falar em hiperligações, interdisciplinaridade, multifunções e outras coisas que tais que, simplificando os conceitos, parecem significar conjuntos de algo. Mas que nome dar quando o nosso sistema de abastecimento de água e de fornecimento de energia estão conectados e funcionam em simultâneo? É que sempre que se toma banho em minha casa dois fios de água começam a correr a partir do interruptor da sala...
Sinergia? Simbiose? Parasitismo? O reflexo (in)voluntário de um sistema que se sente subjugado por outro? Tristeza de toda uma estrutura (social)?
Ou, simplesmente, maus profissionais da área da construção?
Felizmente, amanhã vou para a Beira!
Sinergia? Simbiose? Parasitismo? O reflexo (in)voluntário de um sistema que se sente subjugado por outro? Tristeza de toda uma estrutura (social)?
Ou, simplesmente, maus profissionais da área da construção?
Felizmente, amanhã vou para a Beira!
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Ponto de Encontro
Começou por chamar-se "Café Paris", nome comum e pouco apelativo para quem deseja beber um café expresso e comer uma natinha ao final da tarde numa esplanada... Agora chama-se "Caliente Apple Coffees"! Muito melhor!
Independentemente do nome que apresente, este é sem dúvida o grande ponto de encontro da sociedade de Tete... Grandes negócios já se fizeram nestas mesas, muitas relações tiveram início debaixo destes guarda-sóis, eternas amizades foram construidas entre o café depois do almoço e a meia de leite à hora do lanche.
Este espaço não é só o mais concorrido - não só por ser único, vos garanto - de toda a cidade, é muito mais que isso, é o mais original de todo o mundo! Pelo menos na apresentação dos pratos...
Esta é ou não é a melhor torrada que já viram? Acompanhada de quatro belos palitos de batata frita e uma estrela do mar de beterraba com rodela de tomate em cama de alface!
Deliciosa...
Independentemente do nome que apresente, este é sem dúvida o grande ponto de encontro da sociedade de Tete... Grandes negócios já se fizeram nestas mesas, muitas relações tiveram início debaixo destes guarda-sóis, eternas amizades foram construidas entre o café depois do almoço e a meia de leite à hora do lanche.
Este espaço não é só o mais concorrido - não só por ser único, vos garanto - de toda a cidade, é muito mais que isso, é o mais original de todo o mundo! Pelo menos na apresentação dos pratos...
Esta é ou não é a melhor torrada que já viram? Acompanhada de quatro belos palitos de batata frita e uma estrela do mar de beterraba com rodela de tomate em cama de alface!
Deliciosa...
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Irmãos, ouçam-me!!!
Pelo título da mensagem de hoje imagino que estejam em pulgas para conhecerem todos os milagres que se operaram pelo continente africano neste DIA D!!!!! Pois, realmente, aconteceu hoje um único milagre, mas que foi suficiente para me convencer a ajoelhar perante tal cenário, em sinal de agradecimento... Ouçam-me, então, irmãos... Não aconteceu nada hoje! Depois de publicidade na televisão nacional, de cartazes afixados pela cidade durante dias, de carrinhas a passar pela cidade com colunas a anunciar o grande dia, o dia de hoje amanheceu soalheiro mas acima de tudo calmo e silencioso!
Assim, com o milagre realizado e o sol a brilhar, lá fui eu passear, neste segundo dia de feriado! E hoje vou-vos mostrar o "lado de lá" do Rio Zambeze, onde (quase) todas as empresas estão instaladas.
A aridez continua, nem podia ser de outra forma, ainda não choveu! Mas as casas, encavalitadas nas baixas colinas ou estendidas pelos extensos terrenos, aparecem com um cenário de fundo um pouco diferente. Pedreiras e montes de carvão...
Mas, eis que os milagres começaram a surgir, de forma inesperada! Lá vou eu no carro percorrendo estradas sem fim até que me deparo com 1 hectare de terra abençoada... Porque é mais fértil e mais fresca que toda a terra em volta, segundo me contaram! E porque tem uma placa que o anuncia, segundo eu vi!
Mas sensível fiquei eu quando de repente, olhando em frente, me pareceu ver um pequeno oásis... no meio do nada, um enorme espelho de água! Será que afinal os milagres acontecem??? Aproximei-me... era verdade... uma piscina!
E sim, sou eu a dar umas braçadas!! Que bom!!
Mas os milagres continuaram... e eu cada vez mais a acreditar neles! Na margem do rio há uma esplanada que nos faz viajar para outros locais e gostar de Tete, visto ao longe... Um espaço realmente diferente e bonito, cadeiras de vime, tábuas de queijos franceses (vindos de áfrica do sul, por aqui não há), vinho e champanhe nas prateleiras, música ambiente calma e em volume que nos permite efectivamente conversar... Claro está, como é em cima do rio (e, a existirem, os milagres não são absolutos!) a vida local abraça-nos de uma forma inesquecível, com corpos e roupas a serem lavadas mesmo em frente ao nosso copo de cerveja e mozzarella com tomate!
Irmãos, ouçam-me!!
Depois de tantos milagres, afinal este foi mesmo o Dia D, pelo menos para mim, Divinal! E agora paro de escrever, senão esta será a mensagem mais Difícil de Deglutir!
Assim, com o milagre realizado e o sol a brilhar, lá fui eu passear, neste segundo dia de feriado! E hoje vou-vos mostrar o "lado de lá" do Rio Zambeze, onde (quase) todas as empresas estão instaladas.
A aridez continua, nem podia ser de outra forma, ainda não choveu! Mas as casas, encavalitadas nas baixas colinas ou estendidas pelos extensos terrenos, aparecem com um cenário de fundo um pouco diferente. Pedreiras e montes de carvão...
Mas, eis que os milagres começaram a surgir, de forma inesperada! Lá vou eu no carro percorrendo estradas sem fim até que me deparo com 1 hectare de terra abençoada... Porque é mais fértil e mais fresca que toda a terra em volta, segundo me contaram! E porque tem uma placa que o anuncia, segundo eu vi!
Mas sensível fiquei eu quando de repente, olhando em frente, me pareceu ver um pequeno oásis... no meio do nada, um enorme espelho de água! Será que afinal os milagres acontecem??? Aproximei-me... era verdade... uma piscina!
Mas os milagres continuaram... e eu cada vez mais a acreditar neles! Na margem do rio há uma esplanada que nos faz viajar para outros locais e gostar de Tete, visto ao longe... Um espaço realmente diferente e bonito, cadeiras de vime, tábuas de queijos franceses (vindos de áfrica do sul, por aqui não há), vinho e champanhe nas prateleiras, música ambiente calma e em volume que nos permite efectivamente conversar... Claro está, como é em cima do rio (e, a existirem, os milagres não são absolutos!) a vida local abraça-nos de uma forma inesquecível, com corpos e roupas a serem lavadas mesmo em frente ao nosso copo de cerveja e mozzarella com tomate!
Irmãos, ouçam-me!!
Depois de tantos milagres, afinal este foi mesmo o Dia D, pelo menos para mim, Divinal! E agora paro de escrever, senão esta será a mensagem mais Difícil de Deglutir!
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